Todos os abraços

Cultura
Em 7 de maio de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Apaguei quatro começos de textos falando do musical Orfeu 21. Não sabia se começava com a vontade de subir ao palco e abraçar (de uma só vez) 130 pessoas lindas, se escrevia diretamente ao Gregory Haertel, se começava explicando ao Pépe Sedrez porque eu o abracei no meio do corredor ou então se eu contava para o Fábio Hostert porque passei cinco vezes por ele sem conseguir me aproximar. Então eu resolvi que ia começar desse jeito meio zonzo, porque foi assim que eu deixei o Teatro Carlos Gomes no domingo (6). (E os abraços, lá no final.)

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Orfeu 21 é um musical que reuniu a Cia. Carona (lindos, lindos!), a Escola de Música do Teatro Carlos Gomes e o Pró-Dança. Tenho vontade de ficar escrevendo que foi lindo, lindo, lindo e pronto. Mas vocês merecem saber mais.

É a história de um rock star, Rogério (Fábio Hostert), que se apaixona pela bailarina Alice (Lúcia Helena Martins). O amor dos dois é interrompido por uma tragédia mais do que contemporânea e começa uma viagem pelos pensamentos de Rogério. A história é baseada no mito de Orfeu, mas sem nenhuma amarra.


Tudo é muito bem colocado em Orfeu 21: os coros, as danças, os solos, os cantos, as atuações. Não houve um só momento do espetáculo em que eu desviasse o foco do que realmente estava acontecendo no palco. Mesmo. Juro. Nem pra pensar em beber a minha garrafa d’água, que terminou o espetáculo intacta. Nem nada.

Orfeu 21 é harmônico. Do começo ao fim. Entre as pessoas, que choraram emocionadas quando o Pépe anunciou formalmente uma segunda temporada. Entre as artes, que se completam. Entre texto e música, som e silêncio, luz e breu.

Poucos dias antes, vi o documentário sobre Heinz Geyer no 1º Festival de Cinema de Blumenau. Foi impossível não ligar às duas coisas. Tenho certeza que, de algum lugar, ele sorriu bonito quando viu, no auditório com o seu nome, a arte local voltar a brilhar. Só que, ao contrário do que ele fez, dessa vez eram todos profissionais. E como eram bons.

O meu abraço (em todos),
Vocês foram impecáveis, mesmo quando falharam. Porque nós não vimos e acreditamos que tudo aquilo não passou de um sonho bonito. Aos meus amigos que fizeram parte do elenco e da produção, meu orgulho extremo e meus olhos cheios de lágrimas. Vocês me mostraram mais uma vez que é possível. E com vontade e muita garra dá, sim, para fazer arrepiar um teatro lotado por cinco sessões.

O meu abraço (ao Gregory),
Gregory, meu amigo tão querido. Quando você me falou que tinha ficado mal acostumado com cinco dias de teatro lotado, eu quis chamar todo mundo a tua volta e dizer “viram? Viram do que ele é capaz?”. Tu merece estar muito bem acostumado com tudo de bom que acontece a tua volta. Não vou dizer que esse é só o começo, porque há tempos o começo já mostrou a que vinhas. Esse é o meio. E tem muito mais pra chegar onde tu realmente merece.

O meu abraço (ao Pépe),
Você nem deve saber quem eu sou, Pépe. E nem interessa também. O fato é que eu te abracei no meio do corredor, logo depois de abraçares outro amigo querido. E eu não falei nada. Foi daqueles momentos que a gente tem tanto pra dizer que é melhor não falar nada. Quis te agradecer pelo tapa na cara da sociedade, quis te parabenizar por ser maestro de tanta coisa bonita, quis te dizer que rezei pro nosso São Jorge para que desse tudo certo. Mas eu não disse nada. Fui eu que te abraçou em silêncio.

O meu abraço (ao Fábio),

Passei cinco vezes por você depois do espetáculo. Cinco. Cinco vezes que eu pensei em dizer “oi, eu sou a Marina, te vi em quinhentas e quinze peças e quero te dizer que foi demais”. Mas eu não disse. E passei reto, com cara de vergonha por nunca ter me apresentado antes pra dizer o quanto as outras peças que tu fizesse foram boas. Mas em Orfeu… ah, não dá. Não consigo descrever, não. Quem sabe com um abraço. Em silêncio.

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2 respostas para “Todos os abraços”

  1. Nadi disse:

    Oinn que linda Marina!! Nao consegui ver o musical mas senti a emocao no seu texto. beijo beijo

  2. cris lima disse:

    Marina…. lindas palavras! Se tiver repeteco….estarei lá!