Tarantino no Brasil

Filmes
Em 25 de novembro de 2015
Durante o cafezinho do(a)

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Na segunda-feira [dia 23 de novembro] fomos convidados a assistir em exclusividade o novo filme de Tarantino: Os Oito odiados. Depois da exibição do filme, fomos convidados para a coletiva de Imprensa com Tarantino e uma das estrelas deste novo filme Tim Roth.

Tim Roth foi pouco “acionado” na coletiva, todos os olhos estavam voltados para Tarantino, ele nos contou sobre sua obsessão em manter a qualidade de seus filmes, e confirma que existe uma pressão muito grande sempre que aparece um burburinho sobre um próximo trabalho:

“Eu não tenho nada que me distraia. Não tenho mulher, filhos, só tenho meus filmes. Eu não faço filmes para pagar minha hipoteca, tenho muita sorte em relação a isso, então é só o meu propósito artístico. E eu quero manter meu padrão alto, a expectativa alta. Eu ficaria muito desapontado se as pessoas achassem que não mantive o meu nível num filme”.

Podemos acreditar que esses fatores fizeram o diretor pensar um pouco sobre sua carreira, e por isso teremos apenas mais dois filmes do Tarantino:

“Eu vou parar de fazer filmes depois de dez, então por isso estou contando [Os 8 Odiados] . Eu não faço isso em todos, seria pretensioso demais, e eu sou só um pouco pretensioso”

Tarantino também prega uma universalidade em seu trabalho, por mais que seja americano, e faça filmes que resgatem um passado [Western] americano, seus filmes fazem mais sucesso fora de seu mercado:

“Eu posso ser um cineasta americano, mas não faço filmes para os Estados Unidos”; “Meus filmes se saíram bastante bem nos Estados Unidos, mas um pouco melhor no exterior” “Apesar de serem em inglês e lidarem com assuntos americanos, não são filmes americanos em si. São para todo o mundo”.

Por vezes na coletiva o diretor foi lembrado da situação dos negros dos Estados Unidos, e Django foi um Western sobre isso, e mostrar o lado dos negros dentro de um gênero que sempre escondeu essa etnia:

“A maneira com que estou lidando com a raça nos Estados Unidos, especialmente a negra, que é basicamente ignorada nos ‘westerns’, ou inclusive com a escravidão, o depois da Guerra Civil. Sinto que tenho algo que dizer”

E mesmo com seu segundo filme de Western, o diretor nãos e considera um Diretor especialista do Gênero, mas um homem quem aprendeu com os diversos filmes:

“Para ser um diretor de Western precisamos fazer muito mais do que dois filmes” “No meio desta caminhada eu aprendi bastante sobre lutas Marciais [Kill Bill], filmar com cavalos [Django], filmar perseguições de carro [Death Proof], sempre um novo aprendizado”

Tim Roth destacou como foi trabalhar com Tarantino ao longo dos anos e suas difenças:

“Hoje sinto que o Tarantino está mais no controle da coisa, percebo o seu olhar enquanto está filmando, aquele olhar que deixa tudo especial”

Bem diferente de Cães de Aluguel [1992] primeiro filme de Tarantino como diretor, onde ele dava alguns toques sobre o enquadramento da câmera e como uma tomada ruim poderia destruir seu filme.

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E claro, Tarantino foi perguntado sobre trabalhar com Spike Lee:

“Só me restam dois filmes, e não vou perdê-los trabalhando com o merda do Spike Lee. O dia que trabalhar com ele será o dia mais feliz da vida desse pequeno merda”

Para fechar o diretor destacou sua própria evolução:

“Desde Kill Bill houve uma evolução para o teatral e o literário nos roteiros, sobretudo nos diálogos” E com excesso de preciosismo ele complementou: “não são para todo o mundo, tem que ter uma voz concreta e senso de humor”.

Por essas e outras ele continua a trabalhar com as mesmas estrelas, ressaltando o valor de Tim Roth e manifestou desejo em trabalhar com Kate Winslet, atriz que ele acredita ser uma das melhores no momento.

Detalhes sobre o filme, só em Dezembro quando o filme será lançado nos Estados Unidos, por aqui ele será lançando nas Férias de Janeiro [ainda sem data oficial].

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