Filme – On The Road

Beat Generation, Filmes
Em 23 de julho de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Essa semana resolvi fazer um post diferente, não serei “o escritor” integral do post, chamei uma pessoal especial [minha Calíope] para escrever sobre ele. Queria ver o filme por outros olhos [de uma pessoal que viu o filme e leu o livro], e mesmo não tendo lido o livro, compartilho das mesmas opiniões sobre o longo On The Road.

Walter Salles foi o escolhido para levar ao cinema o clássico da literatura Beat, ele demorou oito anos em todo o processo de roteirização, escolha de elenco, financiamento e filmagem. Apesar de aclamado em alguns lugares o filme não tem agradado o publico em geral.

Vamos a resenha:

Ao ler sobre a história do livro On The Road de Jack Kerouac, entender o quanto este livro pode ter influenciado uma geração inteira, ler que 50 anos foram “aguardados” para que esta história fosse adaptada para o cinema criei uma imensa expectativa sobre o filme Na Estrada de Walter Salles.


Dias antes da estréia do filme ganhei o livro On The Road (esse da L&PM com o pôster do filme) e comecei a lê-lo. No começo do livro você já sente o anseio pela estrada, o gosto pelodeixar tudo pra trás e ver, conhecer, sair por aí e observar (sim, observar!) o mundo e as pessoas.” Quis logo ver o filme antes de terminar o livro por que acredito que filmes adaptados devem fazer você sentir a história, entende-la sem precisar ler a obra inspiradora. Pelo menos os bem dirigidos acredito que funcionam assim.

Não tenho uma opinião muito formada sobre o Salles em On The Road, na verdade não compreendo muito bem essas partes mais específicas ou técnicas do cinema, como até onde é culpa do diretor, do roteirista ou dos atores”. A única coisa que sei é que quando o filme estreou na sexta feira, no sábado eu estava no cinema para conferir. Ansiosa. Essa é a palavra.

Comprei meu ingresso. Entrei na sala do cinema. Lá estava eu inquieta querendo que tudo começasse logo. Começou. Os primeiros minutos do filme são belos, boa fotografia, cenas bem filmadas com ângulos interessantes.  O filme promete, mas não cumpre.


Foi aí que a decepção começou, a organização temporal do filme é um pouco complicada, junto com o enredo que para mim não passou de drogas, sexo e degradação. É difícil dizer se o filme foi bom ou ruim. Na verdade acho que ele nem é bom nem ruim. É chato mesmo.

Lembro-me de ter saído exausta da sala do cinema, de ficar incomodada no banco, olhando ao redor, até tentar abotoar minha bolsa foi mais interessante em alguns momentos. Os olhos cansam de ver “pessoas pirando em cada momento de maneiras diferentes”. Principalmente quando se deduz que toda essa “piração” devia ter um sentido, nem que o sentido fosse enlouquecer sem sentido algum.

No livro há vários sentidos: Viver sem preocupações muito distantes, aproveitar antes de a realidade bater a sua porta, ou até mesmo a maturidade chegar e você não ter como fugir. Uma pena nada disso ter sido levada em conta no filme.

A situação chegou num ponto que mais ou menos umas seis pessoas saíram da sala do cinema. Alguns minutos depois ouvi um senhor dizendo: “Não disse que esse filme só ia ter putaria”, umas senhoras que encontrei no banheiro no fim do filme diziam: “tsc tsc tsc… Kerouac devia ter visto isso, me senti tão inspirada quando li quando era jovem, o que esse Salles estava pensando?”


Nesse espírito que todos saíram, parecíamos que tínhamos levado um balde de água fria e um pisão no pé.  Em um dado momento, cheguei a pensar: “aaaah agora acaba, não é possível” e não, Dean e Sal decidem ir ao México, fazendo com que o filme dure mais meia hora.

Salles não acompanhou o ritmo de Kerouac, essa é a verdade. Kerouac exigia mais visceralidade, já que a crise existencial e busca por si mesmo na estrada é o que envolve todo o livro On The Road (terminei de ler essa semana!). Os anseios, as dúvidas, os desejos de Sal (Alter ego de Kerouac) em ter uma esposa e amar uma mulher, não aparecem, a complexidade de Dean (alter ego de  Neal Cassady, amigo de Kerouac) também é deixada de lado, no filme ele parece um inconseqüente viciado em drogas e mulheres.

Saí do cinema tentando pensar se esse sentimento de cansaço era proposital, ou se pra nós esse tipo de viagem e comportamento é muito distante nos causando essa sensação. Não sei. O final é bom, uma das partes com atuações que mais se assemelharam a Kerouac (ainda não sendo tão angustiante como no livro) assim como as atuações de Kirsten Dunst que renderam boas cenas, cenas que correspondiam ao que todos esperavam.


Hoje só consigo pensar que toda a poesia, desejo de passar por aí conhecendo pessoas livremente, experimentando, sentindo, vivendo e tendo histórias pra contar não está no filme.

Só me lembro de ter alguém na fila do banheiro que me perguntou: “E você menina o que achou?” Eu disse “Acho que eu preciso beber alguma coisa e esvaziar a cabeça porque não consigo achar nada, moça. Estou exausta!”.

 

Essa semana eu volto com mais filmes…


E me acompanhe no malditovivant.net

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Trailer: On The Road

Beat Generation, Filmes
Em 9 de março de 2012
Durante o cafezinho do(a)

A adaptação do clássico beat On The Road (de Jack Kerouac), um dos esperados filmes de 2012, dirigido por Walter Salles, acabou de ter o seu trailer oficial publicado no facebook, através da página “On The Road – The movie“, na aba “Exclusive contents”.

(Pôster do filme divulgado através da página oficial no facebook)

Atualizado em 10/03, 13:13:


On the road – Official trailer – (HD 1080p) por MK2diffusion

Sobre o lançamento do filme no Brasil, as informações que temos, foram as divulgadas pelo twitter do Grupo PlayArte, @grupoplayarte

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Se você ainda não leu este grande clássico da literatura, procure o livro na loja virtual da Saraiva, “On The Road“;  também na versão “On The Road – O Manuscrito Original“.

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HQ – Kerouac,

Beat Generation, Cultura, HQs
Em 2 de março de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Kerouac ‘virgula’ por si só, é um personagem de muitas interpretações, um autor cuja vida e obra andaram sempre muito próximas, talvez refletindo-se, talvez confundindo-se.

Lançada em 2011 pela Devir (site oficial), a HQ nacional “Kerouac,”, de João Pinheiro é uma revista de 112 páginas em preto e branco, com uma estética que reflete um pouco do movimento beat, e que parece ter como objetivo apresentar um pouco da vida do poeta Jack Kerouac, através da representação biográfica do mesmo como um personagem inserido em um ambiente contextualizado entre as decadas de 20 e 60, centrando-se em alguns momentos da sua vida.

De modo geral é uma HQ interessante por ser nacional e falar de um autor que, para muitos brasileiros, ainda é bastante desconhecido. A história baseia-se em biografias sobre Kerouac, traz diversas fotografias conhecidas do autor transformadas em desenhos, além de referências às suas obras, em especial On the Road e Big Sur. Apesar disso, acredito que a obra, cria uma interpretação de Kerouac da qual não compartilho.

Onde encontrar? No site da Saraiva ou na Comix.com.br, por R$25,00.

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64 páginas

Beat Generation, Cultura, Livros e Autores
Em 24 de fevereiro de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Para quem adora pockets (assim como nós da Turma), a L&PM estará lançando nos próximos dias uma coleção de livros com 64 páginas cada que custarão R$5 na versão impressa, ou R$3 em e-book. Pelas informações divulgadas no facebook oficial da editora, inicialmente serão 12 livros, entre eles, Kerouac, Bukowski, Tolstói, Fernando Pessoa, Tchékhov e outros.

(Obs.: Este post não foi pago, é que a gente gosta mesmo dos Pockets da L&PM.)

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Feira do Livro de Porto Alegre

Cultura
Em 14 de novembro de 2011
Durante o cafezinho do(a)

Acaba amanhã (15/11) a 57ª edição de uma das maiores feiras de livros da América. Com inúmeras atividades desde o dia 28 de outubro a feira está acontecendo na Praça da Alfândega, no centro de Porto Alegre, local onde, segundo as expectativas, 1.7 mi de pessoas (veja notícia) puderam estar em contato com autores, editoras, livreiros e outros leitores, e compartilharam a agradável experiência que é a Feira do Livro de Porto Alegre.

Nos quase três anos que estou morando aqui, visitei as 3 edições, e recomendo a todos que possam, participar. A Feira acontece a céu aberto, com inúmeros estandes para compra de livros, e uma extensa programação de debates, sessões de autógrafos, e outras atividades culturais. E este ano (não sei se nos outros também) o local conta com Wi-Fi livre!

Claro que o objetivo de participar da feira, não é somente para a compra de livros, mas com certeza é algo que muitas pessoas desejam ao estar por lá. Para quem vai às compras, a minha dica é, pegue o celular e dê um search rápido na internet pelos preços “normais” dos livros, pois nem todos os estandes parecem possuir preços especiais. Por exemplo, Eu Sou Ozzy, que você acha por R$22 na internet, estava R$39 em um estande; mas também existem ótimos preços, por exemplo, o novíssimo pocket do Kerouac da L&PM, On The Road – O Manuscrito Original, que custa R$24,50, e consegui comprar por R$19,60 no estande da editora.

Se tiver a oportunidade, participe! E mesmo que você não more em PoA, mas adora uma boa leitura, seguir o twitter oficial da Feira (@feiradolivropoa) é uma boa pedida para estar por dentro das novidades do evento durante todo o ano. Visite também o site oficial, www.feiradolivro-poa.com.br.

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Big Sur e Jack Kerouac

Beat Generation, Cultura
Em 31 de outubro de 2011
Durante o cafezinho do(a)

Atenção, pode conter spoiler…

“Os sinos da igreja soam uma triste ‘Kathleen’ que o vento sopra até os barracos do skid row enquanto eu acordo todo lamentoso e gosmento, gemendo por conta de mais uma bebedeira e gemendo acima de tudo porque eu arruinei o meu ‘retorno secreto’ a São Francisco tomando todas enquanto me escondia pelos becos com vagabundos e depois fazendo uma entrada triunfal em North Beach para ver todo mundo embora eu e Lorenz Monsanto tivéssemos trocado cartas enormes planejando que eu ia chegar de mansinho, ligar para ele usando um nome tipo Adam Yulch ou Lalagy Pulvertaft (também escritores).” (Kerouac)

(Fonte: Encarte do Documentário One Fast Move or I’m Gone)

Big Sur é uma complexa obra de Jack Kerouac escrita em apenas 10 dias, que se aprofunda em termos psicológicos bastante pessoais do autor, sobre o sofrimento da existência caótica de um poeta beat, a degradação da sua saúde, a descrença espiritual, as pressões da fama como escritor e como ícone. Há uma sinceridade triste na obra com a qual é quase impossível não se conectar, e no documentário “One Fast Move or I’m Gone”, que trata sobre este livro, esta conexão é bem exemplificada, pela relação que as pessoas passam a ter com o livro depois de lido.

Pessoalmente, confesso que compartilho desta conexão com o livro (talvez por isso esteja sendo tão difícil tentar falar sobre ele), mesmo não sendo o meu favorito do Kerouac, é um grande livro. Ao mesmo tempo que é pesado, como se não houvesse forma de terminar a leitura, sem que ou você, ou o autor desistisse daquela história (não por ser ruim, ou difícil, mas sim pela imersão do leitor). Ele também é um livro lindo, no final.

Como um degradado-apaixonado pela vida, Jack compõem uma obra beat, sonora e poética, com suas descrições, divagações e alucinações. E descreve uma viagem diferente da vivida em On The Road. Não gosto muito dessa definição, mas talvez, Big Sur possa ser considerada uma continuação de On The Road, não somente no contexto, mas também em uma compreensão mais essencial da obra.

“’Tenho que fazer alguma coisa senão eu já era’, eu percebo, seguindo o caminho dos últimos três anos de desesperança bêbada que é um tipo de desesperança metafísica e espiritual que você não aprende na escola não importa quantos livros de existencialismo ou pessimismo você lê.” (Kerouac)

Ano que vem o livro completará 50 anos, e existem notícias sobre o lançamento de um longa da história. Esperaremos, pois parece que 2012 será o ano do Kerouac nas telonas. Além de Big Sur, On The Road e Os Vagabundos Iluminados também estão sendo adaptados.

Onde encontrar? Aqui no Brasil, a L&PM possui o livro em português na versão digital (e-book) e impresso como Pocket. Ou pode ser comprado pelo site da Saraiva.

Documentário sobre o livro

“One Fast Move or I’m Gone” é um documentário que trata especificamente do livro Big Sur, e que complementa a experiência de ler a obra e de conhecer um pouco mais sobre o próprio Jack. Já publicamos antes algumas informações sobre o documentário no post Documentários sobre Kerouac.

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Pearl Jam Twenty

Cultura
Em 3 de outubro de 2011
Durante o cafezinho do(a)

De repente você se vê transportado para o ano de 1991, e tudo parece tão próximo. Pense em tudo que mudou apenas nos últimos 20 anos…

Pearl Jam Twenty (PJ20) é um documentário dirigido por Cameron Crowe, o mesmo diretor de Quase Famosos e Tudo acontece em Elizabethtown, e pelo que conta, viu de perto o movimento grunge se formar no final dos anos 80. Depois de meses lendo as notícias e acompanhando tudo que saia sobre as comemorações dos 20 anos do Pearl Jam, o lançamento do documentário aconteceu no dia 20 de setembro, com 1 única apresentação nos cinemas brasileiros, e 1 sessão extra em alguns cinemas, amanhã, dia 04 de outubro.

Em apenas uma hora e meia, o documentário passa por diversas histórias dos 20 anos da banda, explicando o Pearl Jam como uma história, uma amizade, um momento na vida de algumas pessoas. Não se concentrando em contar a criação de cada álbum, ou fase da banda, o registro se preocupa em contar uma história, e isso é realmente positivo no resultado final da obra.

De alguma forma, você se sente parte de tudo aquilo. Você parece entender um pouco mais sobre o que eles tocam, sobre os momentos de felicidade, sobre os dias ruins, sobre os riffs sombrios, a evolução da banda e das pessoas que a compõem. Você começa a entender um pouco o porquê das mudanças musicais que a banda teve durante a sua história.

Naquele dia, o cinema não estava cheio de jovens assistindo um documentário sobre uma banda. Mas sim, jovens assistindo um documentário sobre um pouco da sua própria juventude.

Para os que não tiveram a oportunidade de assistir, o documentário está saindo “lá fora” em DVD nos próximos dias. E há uma edição especial no site oficial da banda, com 3 edições diferentes do documentário, e muito conteúdo extra…

Pearl Jam é uma banda iluminada, que simplesmente quer fazer arte através da sua música. E talvez Eddie seja o Kerouac da nossa geração, mas como ele mesmo diz, ele é só um cara.

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Kerouac entre Paris e México…

Beat Generation, Cultura
Em 19 de setembro de 2011
Durante o cafezinho do(a)

Jack Kerouac já é um conhecido dos leitores da Turma do Café, aparecendo em vários posts sobre escritores, reviews de livros, divagações poéticas… E hoje viajamos com ele em mais duas de suas obras, Tristessa e Satori em Paris.

Primeiramente, para os que não conhecem a literatura de Kerouac, o poeta beat é autor de um dos grandes clássicos da literatura americana, On The Road, além de ser reconhecido pela introdução de um estilo de escrita singular, que busca remeter o leitor à sonoridade da cena, à visualização não somente pelas palavras, mas também pelo ato de ler. Mas longe de serem apenas forma, as obras de Jack possuem um rico conteúdo poético. É a prosa poética em uma das suas mais belas representações.

Ao lado de tantas obras de maior reconhecimento, Tristessa e Satori em Paris acrescentam suas contribuições para o trabalho de Jack, com a proximidade literária entre elas (ao menos na minha percepção, pelo estilo de escrita utilizado em ambas), mesmo quando as histórias se passam em dois universos tão distantes.

Tristessa e Satori em Paris - Jack Kerouac

Tristessa é um romance de leitura rápida, porém apaixonadamente envolvente. Num triste México dos anos 50-60, um poeta apaixona-se por uma viciada, e descreve este amor através de uma singela visão humana, dotada de compaixão, sofrimento, álcool e morfina, e com alguns ensinamentos budistas (pelas percepções de Kerouac).

“Desde tempos imemoriais e adentrando o futuro sem fim, os homens amaram mulheres sem dizer a elas.” (Tristessa)

“O gato mia com tamanha violência que eu começo a me preocupar pela galinha, mas não, o gato está apenas meditando agora em silêncio sobre um pedaço de cheiro no chão, e faço o coitadinho vibrar, um ronronar nos ombros magros e grudentos com a ponta de meu dedo – Hora de ir embora” (Tristessa)

Tristessa - Jack Kerouac

Satori em Paris é o relato de uma viagem de Kerouac à Europa, que entre devaneios, busca informações sobre o nome de sua família e seus antepassados. Em apenas 10 dias, acontecimentos seguidos levam-no à iluminação, no banco de um táxi.

“Ela [...] sorri e vai embora com um rapaz bonito, e sou deixado ali no banco do bar importunando todo mundo com minha solidão desgraçada que passa despercebida na noite movimentada e atordoante, no bater da caixa registradora, na balbúrdia da lavagem de copos. Quero dizer a eles que não queremos todos ser formigas contribuindo para o organismo social, mas individualistas contados um por um, mas não, tente dizer isso aos que entram-e-saem com pressa dentro e fora da noite agitada do mundo enquanto o mundo gira em um só eixo. A tempestade secreta se tornou um temporal público.” (Satori em Paris)

Entre Paris e México, estas belas contribuições de Kerouac nos mostram o grande autor que ele é. Principalmente por explorar o seu próprio estilo literário, longe de ser possível resumir Jack à On The Road.

A minha dica pessoal, como leitor de diversas obras dele, é a leitura destes dois livros após o clássico On The Road, Os Vagabundos Iluminados e Big Sur (opcional), que vejo como obras que facilitam a introdução ao estilo de escrita do autor. Assim sendo muito mais proveitosa e agradável a leitura de Tristessa e Satori em Paris.

Onde encontrar os livros? Os dois estão disponíveis em Português pela L&PM Pocket. Ambos na versão impressa, e Satori está também disponível como e-book. Você pode encontrar os livros na Saraiva: Satori em Paris e Tristessa.

Aos que divagam com Kerouac, deixem seus comentários!

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Documentários sobre Kerouac

Beat Generation, Cultura
Em 16 de setembro de 2011
Durante o cafezinho do(a)

O @fabiofaller já me falou mais de uma vez que a minha monografia ao invés de blogs deveria ter sido sobre Jack Kerouac (vai saber, quem sabe fique para o mestrado), já que eu não passo dois dias sem citar o autor. Mas esse fascínio sobre a obra de Kerouac levou-me à busca de dois documentários sobre ele. Um deles, o “What Happened to Kerouac?” e o outro “One Fast Move or I’m Gone”.

O primeiro, “What Happened to Kerouac?”, trás como subtítulo (em uma tradução literal) “uma investigação do rei da geração beat”. Lançado em 1986, apresenta uma série de entrevistas de pessoas que conviveram com o autor (muitos dos quais aparecem como personagens em seus livros), construindo uma interpretação de Kerouac através daqueles que o conheceram. O documentário é um pouco cansativo, mas interessante pelo seu conteúdo, e principalmente pelos breves registros em vídeo de Kerouac em entrevistas e fora delas.

Já, “One Fast Move or I’m Gone”, é um documentário de 2008 sobre o livro Big Sur, uma das obras primas do autor. O documentário por si só é uma poesia visual, com uma trilha sonora de altíssima qualidade composta especialmente para o mesmo. Entre entrevistas e breves leituras de trechos do livro, o registro se constrói de forma apaixonada, buscando compreender esta singular obra. Um documentário muito recomendado para quem já leu o livro. E começa com a frase: “If you think Kerouac found salvation on the road… You don’t know Jack.”


Onde conseguir os documentários? Bem, aí complicou. Eu comprei “lá fora”, pois no Brasil é difícil encontrar, mas já vi o What Happened à venda em alguns sites brasileiros. Já o livro Big Sur pode ser encontrado na Saraiva.

Se você já assistiu algum documentário sobre o Kerouac, ou até mesmo sobre a geração Beat, deixe seu comentário!

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Um Mapa de Puro Acaso.

Cultura, Inspiração, Música
Em 23 de junho de 2011
Durante o cafezinho do(a)

Eu comecei a curtir Engenheiros quando tinha uns 9 anos, isso lá em 1989, 90, época que foi lançado o Papa é Pop, lembro da minha fita cassete que girava o dia inteiro no 3×1 la de casa, desde esse tempo acompanhei a banda com um certo fervor, gravava as aparições na TV, ainda tenho um VHS com a aparição no Galpão Crioulo, tocando Herdeiro da Pampa Pobre com o Gaúcho da Fronteira, uma aparição épica, a formação era Gessinger, Lickz e Maltz, pra mim a melhor e clássica formação da banda, com Gessinger no baixo. Eu comprava os discos e fitas, mais recentemente tive a oportunidade de completar a coleção de cds dos Engenheiros com os dois últimos que faltavam, Longe Demais das Capitais, o primeiro, e Revolta dos Dândis I, que tem Infinita Highway e Terra de Gigantes, mais alguns dvds. Ainda tem os shows, como o de Erechim em 1997, onde o guitarrista era o Granja, que estava com a perna quebrada, vi também o mar de gente do Planeta Atlãntida (festival de música do sul do país) fazer um coral de milhares de vozes entoando as letras de Gessinger, são tantos shows que perdi a conta.

Todas as lojas de instrumentos musicais de Porto Alegre têm a marca do meu nariz impressa no vidro da vitrine. Estão lá meus olhos, desejando violões, guitarras e baixos. Na vitrine é onde o instrumento melhor soa, quando, na imaginação, somos Hendrix, Pastorius, John e Paul. Visões do paraíso.”

Fique sabendo do livro do Humberto, Mapas do Acaso, através de alguns blogs, vi que estava em pré venda, onde acompanhava uma caneca e um autógrafo do cara, não tive dúvida, comprei na hora.

Comecei a ler no dia em que o recebi, coloquei umas musicas dos Engenheiros, melhor trilha sonora não tem, como a expectativa era alta, devorei o livro em pouco tempo, Humberto fez tudo soar como música, o livro tem um ritmo pausado onde a ordem cronológica dos fatos não tem a menor importância, cheio de notas mentais para uma próxima vida, como “Dar um jeito de não ficar vermelho” ou “Sentir com inteligência, pensar com emoção” e trechos de música o livro é um verdadeiro presente para os fãs.

Gessinger fala sobre o tempo em “Esparta Alegre”, fala sobre os livros de Kerouac, das copas do mundo que viveu, dos seus cachorros, Boris e Laika e das excursões dos Engenheiros pelo mundo.

De tanto ouvir canções, passei a acreditar que a vida também é uma. Procuro a harmonia, espero o refrão, ergo os braços segurando um isqueiro imaginário… Acho que mereço um solo, de tanto ouvir canções. Tenho ciúmes do Elton John, pois ele cantou uns olhos azuis que acho que são dela. Eu sei, eu sei, ele nem é chegado nisso e a música nem é tudo aquilo. De tanto ouvir canções, passei a acreditar”

No final do livro, uma lista das cidades onde foram feitos shows e letras, rascunhos, trechos de textos que depois viraram canções de sucesso, como Mapas do Acaso e Anoiteceu em POA.

O livro é ótimo, pra quem gosta de Engenheiros, pra quem gosta de música, poesia, curiosidades, idéias e ideais, vale muito a pena.

Uma dica, para quem ainda não teve a oportunidade de ver, Humberto Gessinger tem feito, uma vez por mês uma sessão de twitcam, onde toca muitas músicas e conversa com a galera toda, vale a pena ficar ligado, é um grande show e de graça, ele divulga no twitter @1bertogessinger

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