Filme – Um Método Perigoso

Filmes
Em 6 de abril de 2012
Durante o cafezinho do(a)

“Não desejo suscitar convicções, o que desejo é estimular o pensamento e derrubar preconceitos.” Freud

Ontem no meu blog [malditovivant.net] fiz um post sobre a carreira do virtuoso diretor, David Cronenberg, ele também é diretor de Um Método Perigoso. Neste filme Cronenberg sai do grotesco e vai até o fetichismo e o Parricídio para mostrar a relação dos maiores mestres da Psiquiatria, Carl Gustav Jung [Michael Fassbender] e Sigmund Freud [Viggo Mortensen está majetoso no papel] no meio desta relação temos Sabina Spielren [Com uma excelente atuação de Keira Knightley].


Apesar da figura de Freud, o filme é centrado na relação de Sabina com Jung. Ela fora a primeira paciente em que Jung usou os famosos métodos de Freud, onde o tratamento se dá por meio da conversa com o paciente. O experimento é um sucesso, Jung descobre o real problema de Sabina, que por conta da sua infância violenta, sente um incrível prazer sexual ao por meio da violência [Fetichismo]. Jung é bem eficaz como médico, conseguindo recuperar Sabina e fazendo com que ela consiga ingressar na faculdade, ela por devoção ao seu salvador escolhe a faculdade de psicologia.

O sucesso de Jung por meio da técnica de Freud faz com que os dois marquem um encontro, e assim nasce a amizade entre os dois, Freud vê em Jung a figura de pupilo [e seu futuro sucessor] na mesma via Jung vê Freud como um Pai [Mestre], e Freud age assim mesmo, sempre se distanciando e com um ar de superioridade e se mostrando sempre a frente de seus colegas.

Mesmo Jung sendo um excelente psicanalista, sua vida pessoal não vai tão bem, casado com uma mulher rica, Jung não tem um casamento feliz, como Freud o analisa: ela por ser dominante [financeiramente] castra o ímpeto de Jung na esfera pessoal, Jung só se sente “Homem” na esfera profissional, onde é mestre em sua arte.

Jung entra em conflito após Freud mandar um de seus pacientes, Otto Gross [Vicent Cassel rouba a cena] que também é psicanalista, fora internado pelo seu pai, Jung acaba sendo seduzido pelo ideal Otto [um anarquista em estado de ebulição], que induz Jung a ter um caso com uma de sua paciente mais famosa Sabina. Ele então entra no mundo do fetichismo, no inicio não gostando muito, mas por fim deixando de ser instrumento [de Sabina] para se tornar refém dela.

Com o tempo Jung acaba se sobressaindo e explorando outros campos, isso não agrada seu mestre, ai as discordâncias começam a surgir. Jung não precisa mais de um Mestre, ele tem seu reconhecimento [Parrícidio]. Freud resolve então cortar relações com o pupilo, e isso afeta totalmente Jung, que se afunda em trabalho.

Cronenberg mostra uma direção segura e realista, dando aos atores um ar de naturalidade, mesmo sendo um filme de época. Outro bom acerto do diretor foi a escolha de Keira Knightley, que se mostrou uma atriz bem versátil ao fazer uma Sabina doente e uma Sabina curada. Mostrar a briga de Jung e Freud por cartas é mais um acerto do diretor, as locações dão uma ideia de uma Europa poderosa e rica um retrato fiel da época.

Se for ao cinema, dê uma chance a Cronenberg e veja o mundo da psiquiatria pelos olhos de Jung e Froid.

Hoje tem post lá no malditovivant.net

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