O melhor de Kurosawa

Cultura, Filmes
Em 8 de novembro de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Akira Kurosawa, um olhar do mundo oriental.

 

No meu penúltimo post [clique aqui e leia] eu falei sobre a genialidade do grande diretor Akira Kurosawa, agora vou indicar os principais filmes para você conhecer melhor a obra deste diretor. Na minha lista eu escolhi sete filmes, que representam o melhor e o mais criativo deste diretor. Alguns destes filmes podem ser encontrados na locadora e outros só no mercado ilegal da internet [filmes baixados].

 

Kagemusha – A Sombra do Samurai [1980]

Um dos melhores filmes épicos do diretor. Com cenas de ação e drama na medida certa.

kagemusha kurosawa

Sinopse: Durante o Japão medieval, um importante lorde falece em meio à uma decisiva guerra. Prevendo que isso pudesse acontecer, ele deixa uma ordem de que, se realmente falecesse, alguém deveria se passar por ele e, assim, evitar a queda de seu reinado. Nesse momento entra na história um pobre ladrão, sósia do grande lorde, que encontra uma situação incrivelmente mais difícil do que qualquer um poderia imaginar.

 

 

Homem Mau Dorme Bem [1960]

Uma releitura de Hamlet com o ar do cinema Noir, mas recheado de cenas tristes com a intenção de denunciar o modo de vida da sua sociedade na época.

the bad sleep well kurosawa

Sinopse: A filha de um grande empresário casa-se com um dos seus funcionários. Já na festa de casamento circulam rumores sobre o suicídio, cinco anos antes, do pai do noivo, que também havia sido empregado da empresa. O filme gira em torno da investigação do filho desconfiado da versão dada para a morte de seu pai. Uma releitura de Hamlet.

 

RAN [1985]

Outra adaptação de Shakespeare, mas agora com uma roupagem clássica.

ran kurosawa

Sinopse: É a adaptação para o cinema da obra trágica de Shakespeare, Rei Lear, transposta para o Japão na época dos samurais. Já velho, o chefe da família Ichimonjis decide dividir todos os seus preciosos bens entre seus três filhos, o que gera uma disputa sangrenta entre os irmãos, até um trágico desfecho.

 

Yojimbo [1961]

Um dos melhores filmes de Samurai que eu já vi, o filme ganhou uma sequência, mas não chega aos pés desse filme. Cenas de batalhas épicas e um personagem totalmente carismático.

Yojimbo kurosawa

Sinopse: Um samurai desempregado (Toshirô Mifune) chega a uma cidade à procura de um trabalho, só que esta se encontra dividida entre dois mercadores rivais. O samurai oferece os seus serviços para ambos, envolvendo-se em sangrentas batalhas e aproveitando-se totalmente da situação. Inspirou obras famosas, como Por um Punhado de Dólares, de Sérgio Leone, e Kill Bill, de Quentin Tarantino.

 

Roshomon [1950]

O filme é baseado em dois contos da cultura japonesa, um dos melhores filmes já feito pelo diretor, com uma bela fotografia e um excelente roteiro.

Roshomon kurosawa

Sinopse: Japão, século XI. Durante uma forte tempestade, um lenhador, um sacerdote e um camponês procuram refúgio nas ruínas de pedra do Portão de Rashomon. O sacerdote diz os detalhes de um julgamento que testemunhou, envolvendo o estupro de Masako e o assassinato do marido dela, Takehiro, um samurai. Em flashback é mostrado o julgamento do bandido Tajomaru, onde acontecem quatro testemunhos, inclusive de Takehiro através de um médium. Cada um é uma “verdade”, que entra em conflito com os outros

 

Anjo Embriagado [1948]

Meu filme favorito do diretor, um filme forte.

Anjo Embriagado kurosawa

Sinopse: Um doutor alcóolatra no Japão pós-guerra trata o jovem Matsunaga depois de uma batalha armada com um sindicato rival. O doutor dá ao jovem gângster o diagnóstico de tuberculose, e o convence a começar um tratamento. Os dois aproveitam uma constrangedora amizade até que o patrão inicial do gângster é libertado da prisão e sai em busca dos antigos membros da gangue para reunir seu grupo novamente.

 

 * Não consegui o trailer, só consegui um take de uma das mais belas cenas do filme.

 

Sonhos [1990]

O mais popular de todos os filmes do diretor, mas o menos artístico de todos, apesar das oito histórias a mais importante e mais bela é a última.

sonhos dreams kurosawa

Sinopse: Kurosawa nos apresenta oito histórias que, em alguns episódios, nos aprofundam em alguns folclores japoneses, e em outros, discutem temas importantes da história japonesa, como a bomba atômica e a utilização de gases tóxicos nas usinas.

 Encontre aqui os melhores filmes de Akira Kurosawa.

 

Agora corra para a locadora e alugue o melhor do Kurosawa.

O malditovivant volta na próxima quinta…

 

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O Diretor Akira Kurosawa

Cultura, Filmes
Em 4 de outubro de 2012
Durante o cafezinho do(a)

“Um homem é um gênio quando está sonhando.” Akira Kurosawa

Akira Kurosawa é até hoje o diretor mais influente do cinema Japonês, em uma longa carreira de 50 anos ele dirigiu 30 filmes. Sua influência não se estende a apenas o seu cinema, sua influência se estende ao cinema do mundo todo, para se ter uma ideia George Lucas admitiu que “Kakushi toride no san akunin” [aqui lançado como A Fortaleza Escondida] o influenciou na criação de StarWars, principalmente pela técnica de contar o filme pela visão de dois personagens coadjuvantes.

Kurosawa vem de uma família de descendentes diretos de uma antiga linhagem de Samurais, tornando a honra seu valor mais importante, essa descendência inspiraria Kurosawa a ser o primeiro cineasta a levar o mundo dos Samurais para o cinema. Antes da ideia de ser diretor, Kurosawa sonhava em ser pintor [isso influenciaria bastante a estética de seus filmes e seus storyboards], seu sonho no deu certo, o Japão vivia uma forte crise financeira, mas isso não o impediu de voltar seus olhos a literatura em especial Willian Shakespeare.

kurosawa

Mas foi graças ao seu irmão Heigo que trabalhava em dublagem que Kurosawa se fez interessado pelo cinema [na época ainda engatinhando no continente asiático].  Em 1935 conseguiu seu primeiro trabalho como diretor assistente, trabalhou com Kajiro Yamamoto, que seria seu mentor. Yamamoto viu em Kurosawa a paixão pelo cinema e o surgimento de uma nova geração, com isso promoveu o jovem assistente a supervisor de direção deixando-o encarregado pelos cenários e algumas vezes na preparação dos artistas.

Foi Yamamoto que plantou a ideia em Kurosawa de que um bom diretor deve escrever seus próprios roteiros. Essa ideia floresceu e fez com que Kurosawa trabalhasse em vários roteiros. Marcando a sua carreira e o tornando um diretor completo. Foi no ano de 1942 que Kurosawa teria sua grande chance, após ler o romance de Tsuneo Tomita [Judô, inspirado em Miyamoto Musashi] Kurosawa pediu ao estúdio para comprarem os direitos do filme.

Naquele mesmo ano ele começaria as filmagens, tudo ocorreu muito bem até o termino do filme, porém a censura japonesa não queria ver o filme nas telas por achar uma propaganda americana. Com ajuda de seus amigos o filme conseguiu ir ao cinema sendo um sucesso de bilheteria e crítica, mesmo tendo 15 minutos cortados posteriormente.

Com o fim da guerra Kurosawa se aprofundou em uma ideia de que seus filmes que iriam estabelecer um respeito renovado pelo indivíduo e sua consciência. Um sentimento perdido após a derrota. Nesse período que durou de 1946 a 1950 ele lançou 7 filme, dentre eles o mais aclamados seria Yoidore tenshi [lançado por aqui como Anjo Embriagado] e Rashomon, filme que abriria as portas do mundo para Kurosawa.

O reconhecimento fora de seu país fez de Kurosawa um novo nome do cinema, seus filmes começaram a ser discutidos no mundo todo.  Em 1961 o diretor leva pela primeira vez um samurai para as telas do cinema, Yojimbo faria um sucesso incrível com uma história simples, mas que cativou o público norte americano, Sergio Leone copiaria muito de Kurosawa em seu filme “Por Um Punhado de Dólares”.

kurosawa

Todo esse sucesso levaria Kurosawa ao seu maior fracasso. Em 1966 já com 56 anos o diretor sairia de sua terra, para filmar Runaway Train, por conta da neve e dos problemas de idioma o filme foi cancelado em 1968. Naquele mesmo ano ele foi chamado pela Fox para dirigir Tora, Tora, Tora.

O Filme contaria os dois lados da guerra de Pearl Harbor. Depois de cortes em seu orçamento e roteiro Kurosawa seria desligado do filme em dezembro de 68. A Fox alegou que o diretor estava doente.

A crítica quase acabou com a carreira do diretor, muitos diziam que sua mente estava doente e que ele nunca voltaria a filmar. Mas o Kurosawa voltaria com Ran em 1985 uma obra inspirada em Rei Lear. O filme só saiu do papel graças a ajuda de seus admiradores americanos [George Lucas e Coppola]. Que o resgataram do ostracismo.

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Depois de cinco anos Kurosawa voltaria com Sonhos, seu filme mais famoso, mas não o seu melhor filme. O filme é quase uma biografia do diretor. Depois ele lançaria mais dois filmes, mas pouco expressivos. Em 1998 ele morreria de derrame e triste por não concretizar seu sonho de morrer no SET [como um bom samurai morrendo no campo de batalha]

 

Assim Kurosawa deixaria seu legado com vitórias e fracassos.

Semana que vem eu volto falando dos seus melhores filmes.

kurosawa


Sexta temos post novo lá no malditovivant.net

 

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Jamaicaderos um ska porteño

Cultura, Música
Em 4 de setembro de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Estava passeando pelo centro de Buenos Aires com minha família e eis que temos uma grata surpresa, uma banda de Ska fazendo um baita som, paramos para ouvir por algum tempo e me obriguei a comprar o album dos caras.

A banda em questão chama-se Jamaicaderos, apresentam-se pelas ruas de Buenos Aires, fazem ska, reggae, jazz entre outros ritmos.

 

Depois, pesquisando mais sobre a banda descobri que possuem dois albuns gravados, “Pequeñas imperfecciones” e “Camino libre”, ambos são ótimos, músicas swingadas e de alta qualidade.

O vídeo abaixo foi gravado na rua Defensa, ao lado da Feira de San Telmo (Praça Dorrego), um dos bairros mais tradicionais de Buenos Aires, lar do cartunista Quino e sua Mafalda, que está sempre lá, sentanda em um banco na esquina das Ruas Chile e Defensa.

O outro vídeo foi gravado na Calle Florida, onde encontrei a banda tocando.

Se você for pra Buenos Aires, vale a pena conferir o Facebook dos caras, pra ver onde estarão tocando e curtir, garanto que vale muito a pena.

Você pode ouvir as músicas no MySpace da banda.

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Black Label Society no Brasil

Cultura, Música
Em 9 de julho de 2012
Durante o cafezinho do(a)

2012:

A produtora Top Link Music já confirmou através do seu site a volta do Black Label Society ao Brasil, em turnê com 5 shows, em Porto Alegre, Goiânia, Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo. As datas e locais podem ser acessadas pelo link, http://www.toplinkmusic.com/pt/tours.php

Show do Black Label Society, em Porto Alegre, Agosto de 2011.

2011:

(Publicado originalmente em 22/11/10)

“Atenção fãs brasileiros do BLS. Estaremos em turnê no Brasil em Maio 2011!”  é o que diz o site do Zakk Wylde em bom portugês.

Por enquanto sem datas, 2011 promete muito Heavy Metal, Iron Maiden, Ozzy, Metallica e Motörhead já confirmados, esperamos mais!!!

Site Oficial Zakk Wylde.

PS. Lembrando, Zakk Wylde é o guitarrista do Ozzy e considerado um dos melhores guitarristas do mundo.

 

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Let’s Rock nem tão rock assim

Cultura, Música
Em 23 de maio de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Maior exposição de rock da América Latina, a Let’s Rock abriu suas portas no Brasil no dia 4 de abril, bem a data do meu aniversário. Sou ligada nessas coisas de data e achei que, talvez, pudesse ter algum significado especial – tolice. Como tinha uma viagem programada a São Paulo no dia 13, a exposição logo entrou no roteiro.

Quando chegou dia 15, domingo, acho que eu era a mais empolgada do grupo de amigos para a visita. R$ 20? Paguei, rindo ainda. Muito bem estruturada na Oca, no Parque do Ibirapuera, a exposição proporciona uma verdadeira viagem ao mundo do rock n’ roll, a nível mundial, desde quando o estilo surgiu, passando pelas fases de transição e chegando aos dias atuais.


Porém, dizem por aí que nada é perfeito e com a Let’s Rock não foi diferente. Confesso que me decepcionei um pouco – ok, na hora fiquei revoltada, mas hoje considero uma leve decepção – com a falta de algumas fotografias e o excesso de outras. Por exemplo, Jim Morrison. Além da presença na linha do tempo e na salinha dos anos 60, não vi nenhuma fotografia grande pendurada do falecido vocalista do The Doors – muito menos da banda.

Já da Pitty, umas cinco. Tudo bem, ainda considero Pitty uma referência no rock atual brasileiro. Mas compare sua importância com a do The Doors? Na sequência, me vem outras várias fotografias do NX Zero. Melhor não comentar. E, pasmem, uma da Mallu Magalhães. Bem grande e bonita. Ok, Mallu é considerada (não por mim) uma revelação, namora Marcelo Camelo e tudo o mais… mas será que ela merecia MESMO uma fotografia daquele tamanho, onde não havia nem do Metallica, nem do The Doors?

E mais, eu como fã não pude deixar de notar. Cadê Alanis Morissette? Muitos vão dizer que a cantora canadense é adepta do pop, mas se derem um pulinho no anos 90 verão que a história não é bem assim. E mesmo se fosse, se Mallu Magalhães teve seu espaço, porque não Alanis? Isso me deixou realmente revoltada. Quando encontrei a fotografia do James Hetfield, líder do Metallica, em um canto dentro da lojinha de souvenirs, me acalmei. Mas que ele merecia mais destaque, merecia.


Resumindo, apesar das minhas frustrações pessoais, a exposição vale a pena. Quem se interessar, ainda dá tempo. A Let’s Rock fica no Ibirapuera até o dia 27 de maio, próximo domingo. Para quem é músico e curte uma guitarra, há um espaço onde há vários instrumentos para brincar, tocar, tirar fotos. Muito bacana. E, no penúltimo andar, há uma exposição de objetos de vários artistas – brasileiros e estrangeiros. Um mergulho mesmo na história do rock mundial.

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Rugas iluminadas

Cultura
Em 7 de maio de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Eram duas. A da esquerda tinha aqueles cabelos típicos de avó: curtos e pintados discretamente. Em volta da boca, tinha pequenas rugas que franziam os lábios franzinos. A da direita era como todos os registros da história blumenauense mostram as pessoas idosas: de cabelos muito brancos, longos e presos perto da nuca, com os braços grossos envoltos em várias camadas de casacos. Sentei logo atrás, mas não tive nenhum olhar delas, que já estavam compenetradas na história.

Fazia frio no último dia do 1º Festival de Cinema de Blumenau. Uma iniciativa de apaixonados pela sétima arte que provaram para a cidade que não há como dizer que é impossível. O auditório Willy Sievert, no Teatro Carlos Gomes, estava quase lotado para assistir a sua própria história.

O documentário dirigido por Andreas Peters começa leve. A chegada do maestro Heinz Geyer à terras brasileiras e a Blumenau. Mesclando entre animação, depoimentos e uma atuação hora bonita, hora frenética de James Pierre Beck, o documentário manteve calada uma platéia também dividida entre os que conheceram um pouco do maestro, os que o estavam conhecendo ali e os que ansiavam para que Blumenau voltasse a ter bons tempos como aqueles.

Geyer foi, antes de tudo, um guerreiro. Com a sua paixão e o seu feeling na música, conseguiu, sem nenhum tipo de apoio financeiro e com artistas que, mesmo que bons, eram amadores tecnicamente, subir ao palco do Teatro Municipal de São Paulo. As conquistas não pararam por aí: teatros lotados em todo país, o desenvolvimento de um gosto pela apreciação da cultura em Blumenau e a construção de um patrimônio histórico imensurável para cidade.

Guerreiros foram também Andreas e o diretor musical, André de Souza. Num arquivo bagunçado, com pouca catalogação e quase nenhuma pesquisa pronta sobre a obra, transmitiram uma história que começa e termina com música.

Pedra fundamental: na teoria e na prática
Uma das raras fotografias em que Geyer aparece é num momento histórico para a cidade: na inauguração da pedra fundamental do Teatro Carlos Gomes. Assistimos a um debate acalorado de pessoas apaixonadas por cultura e pela personalidade do maestro o porquê de um reconhecimento tardio, de uma falta de continuidade ao trabalho e aos sonhos do maestro.

Não havia atacantes ou defensores, muito menos juízes. Eram apenas dois diretores falando sobre sua obra e sendo compreendidos por uma platéia que buscava respostas inexistentes. Mas todos saíram com uma certeza: Geyer foi a pedra fundamental da cultura blumenauense.

De saudade, de emoção, de tristeza
Depois que as luzes acenderam, pude ver por trás das grossas lentes dos óculos das duas senhoras sentadas a minha frente, lágrimas. Numa bonita confusão, o reflexo da luz da tela se tornou lembrança recente: aquelas duas senhoras depuseram no documentário de Peters. Achei indelicado perguntar se aquelas lágrimas tímidas, que se perdiam em meio às rugas eram de saudade, de emoção ou de tristeza. Mas tive certeza que a história foi muito verdadeira. Aquelas senhoras, com tantas rugas no rosto, não chorariam em vão.

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Todos os abraços

Cultura
Em
Durante o cafezinho do(a)

Apaguei quatro começos de textos falando do musical Orfeu 21. Não sabia se começava com a vontade de subir ao palco e abraçar (de uma só vez) 130 pessoas lindas, se escrevia diretamente ao Gregory Haertel, se começava explicando ao Pépe Sedrez porque eu o abracei no meio do corredor ou então se eu contava para o Fábio Hostert porque passei cinco vezes por ele sem conseguir me aproximar. Então eu resolvi que ia começar desse jeito meio zonzo, porque foi assim que eu deixei o Teatro Carlos Gomes no domingo (6). (E os abraços, lá no final.)

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=tAiFGNqcxcA&w=560&h=315]

Orfeu 21 é um musical que reuniu a Cia. Carona (lindos, lindos!), a Escola de Música do Teatro Carlos Gomes e o Pró-Dança. Tenho vontade de ficar escrevendo que foi lindo, lindo, lindo e pronto. Mas vocês merecem saber mais.

É a história de um rock star, Rogério (Fábio Hostert), que se apaixona pela bailarina Alice (Lúcia Helena Martins). O amor dos dois é interrompido por uma tragédia mais do que contemporânea e começa uma viagem pelos pensamentos de Rogério. A história é baseada no mito de Orfeu, mas sem nenhuma amarra.


Tudo é muito bem colocado em Orfeu 21: os coros, as danças, os solos, os cantos, as atuações. Não houve um só momento do espetáculo em que eu desviasse o foco do que realmente estava acontecendo no palco. Mesmo. Juro. Nem pra pensar em beber a minha garrafa d’água, que terminou o espetáculo intacta. Nem nada.

Orfeu 21 é harmônico. Do começo ao fim. Entre as pessoas, que choraram emocionadas quando o Pépe anunciou formalmente uma segunda temporada. Entre as artes, que se completam. Entre texto e música, som e silêncio, luz e breu.

Poucos dias antes, vi o documentário sobre Heinz Geyer no 1º Festival de Cinema de Blumenau. Foi impossível não ligar às duas coisas. Tenho certeza que, de algum lugar, ele sorriu bonito quando viu, no auditório com o seu nome, a arte local voltar a brilhar. Só que, ao contrário do que ele fez, dessa vez eram todos profissionais. E como eram bons.

O meu abraço (em todos),
Vocês foram impecáveis, mesmo quando falharam. Porque nós não vimos e acreditamos que tudo aquilo não passou de um sonho bonito. Aos meus amigos que fizeram parte do elenco e da produção, meu orgulho extremo e meus olhos cheios de lágrimas. Vocês me mostraram mais uma vez que é possível. E com vontade e muita garra dá, sim, para fazer arrepiar um teatro lotado por cinco sessões.

O meu abraço (ao Gregory),
Gregory, meu amigo tão querido. Quando você me falou que tinha ficado mal acostumado com cinco dias de teatro lotado, eu quis chamar todo mundo a tua volta e dizer “viram? Viram do que ele é capaz?”. Tu merece estar muito bem acostumado com tudo de bom que acontece a tua volta. Não vou dizer que esse é só o começo, porque há tempos o começo já mostrou a que vinhas. Esse é o meio. E tem muito mais pra chegar onde tu realmente merece.

O meu abraço (ao Pépe),
Você nem deve saber quem eu sou, Pépe. E nem interessa também. O fato é que eu te abracei no meio do corredor, logo depois de abraçares outro amigo querido. E eu não falei nada. Foi daqueles momentos que a gente tem tanto pra dizer que é melhor não falar nada. Quis te agradecer pelo tapa na cara da sociedade, quis te parabenizar por ser maestro de tanta coisa bonita, quis te dizer que rezei pro nosso São Jorge para que desse tudo certo. Mas eu não disse nada. Fui eu que te abraçou em silêncio.

O meu abraço (ao Fábio),

Passei cinco vezes por você depois do espetáculo. Cinco. Cinco vezes que eu pensei em dizer “oi, eu sou a Marina, te vi em quinhentas e quinze peças e quero te dizer que foi demais”. Mas eu não disse. E passei reto, com cara de vergonha por nunca ter me apresentado antes pra dizer o quanto as outras peças que tu fizesse foram boas. Mas em Orfeu… ah, não dá. Não consigo descrever, não. Quem sabe com um abraço. Em silêncio.

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HQ – Daytripper

Cultura, HQs
Em 7 de março de 2012
Durante o cafezinho do(a)

“Ele andou duas quadras até perceber que não estava mais triste. Estava feliz e de repente tudo que conseguia pensar era em coisas alegres.

Tudo em que conseguia pensar era… Nela.

Ela era a criatura mais bonita da face da terra – Seu cabelo disse isso, em uma língua que só os cabelos conseguem falar.

Porque ele não foi falar com ela?” (Daytripper #3 – Gabriel Bá e Fábio Moon)

“Quais são os dias mais importantes da sua vida?” É esse o tom filosófico, sonhador, imaginário e real, que Daytripper oferece em suas páginas. Em mudanças temporais o quadrinho envolve o leitor em uma busca de respostas pessoais.

Daytripper, é uma grande HQ escrita pelos paulistas Fábio Moon e Gabriel Bá, ganhadora do prêmio Eisner, listada pelo The New York Times entre os quadrinhos mais vendidos, lançada pela Vertigo e Panini, colorida, com 256 páginas. Distribuída no Brasil em volume único, conta uma interessante história de 10 capítulos, sobre um escritor de obituários, chamado Brás, que se encontra em questionamentos sobre a sua existência, e devaneios entre a tristeza, a alegria, o amor, quase como uma nostalgia existencial, elevada pela conclusão final da história.

A revista apresenta em cada um de seus capítulos diversas referencias culturais ao Brasil, seja nas ruas de São Paulo, nas praias, em fatos históricos, nas crenças, nas brincadeiras de crianças, além de uma estética rica em detalhes (seja nas expressões faciais, nos detalhes do ambiente, ou na abstração da realidade) que permite a imersão do leitor no ambiente e na história.

Pessoalmente, esta HQ deu início ao meu interesse atual por quadrinhos, já que sempre tive uma visão deles como caros e efêmeros. Com questionamentos filosóficos que eu não acreditava serem possíveis em quadrinhos, e que depois da leitura pareceram muito mais conscientes pelo envolvimento criado na inusitada história, de forma tão natural. E claro, também, pela qualidade excepcional dos desenhos.

Assista também a uma entrevista do Saraiva Conteúdo com os dois irmãos quadrinistas no seu estúdio em São Paulo, http://www.youtube.com/watch?v=BBlxSJezoUU

Recomendo esta HQ a todos, mesmo a quem não tenha o hábito de ler quadrinhos, serão algumas horas de uma leitura incrível.

Onde encontrar? Na loja virtual da Saraiva.

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O cappuccino da Alanis

Cultura, Música
Em 2 de março de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Alanis Morissette é, sem dúvidas, uma das maiores cantoras dos últimos tempos. Talvez eu seja suspeita para falar, por ser fã e tudo o mais. E ela fez, nos anos 90, uma música deliciosa de ouvir… calma… e que tem cappuccino no nome!

No Pressure Over Cappuccino está presente no álbum ao vivo Alanis Unplugged. A letra não tem nada a ver, mas confesso que já experimentei ouvir a canção tomando um bom cappuccino de chocolate. Me rendeu algumas reflexões sobre a vida.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=_YfSSq0srfo&version=3&hl=pt_BR]

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HQ – Kerouac,

Beat Generation, Cultura, HQs
Em
Durante o cafezinho do(a)

Kerouac ‘virgula’ por si só, é um personagem de muitas interpretações, um autor cuja vida e obra andaram sempre muito próximas, talvez refletindo-se, talvez confundindo-se.

Lançada em 2011 pela Devir (site oficial), a HQ nacional “Kerouac,”, de João Pinheiro é uma revista de 112 páginas em preto e branco, com uma estética que reflete um pouco do movimento beat, e que parece ter como objetivo apresentar um pouco da vida do poeta Jack Kerouac, através da representação biográfica do mesmo como um personagem inserido em um ambiente contextualizado entre as decadas de 20 e 60, centrando-se em alguns momentos da sua vida.

De modo geral é uma HQ interessante por ser nacional e falar de um autor que, para muitos brasileiros, ainda é bastante desconhecido. A história baseia-se em biografias sobre Kerouac, traz diversas fotografias conhecidas do autor transformadas em desenhos, além de referências às suas obras, em especial On the Road e Big Sur. Apesar disso, acredito que a obra, cria uma interpretação de Kerouac da qual não compartilho.

Onde encontrar? No site da Saraiva ou na Comix.com.br, por R$25,00.

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